Nossa viagem para a Patagônia Argentina durou apenas 4 dias (de 29/10 a 01/11), mas foi intensa o suficiente para parecer um mês inteiro de aventuras. Fizemos a clássica viagem entre El Calafate e El Chaltén, encaramos um acampamento no frio e vimos algumas das paisagens mais surreais da vida.
Se você está planejando ir para lá, já adianto: prepare o físico para as trilhas e vá com roupas quentes, porque o clima não brinca (pegamos de 8°C a -2°C). Abaixo, organizei nosso roteiro completo, os custos detalhados e as dicas para você não cometer os mesmos erros que a gente!
Custos, Transporte e Ingressos (O que você precisa saber)
Antes de detalhar o dia a dia, aqui vai um resumo prático de logística e gastos:
- Passagens Aéreas: R$ 400 por pessoa (120.150 pesos) Saindo de Buenos Aires.
- Transfer (Vespatagonia): R$ 110 por pessoa (66.000 pesos ida e volta). O Uber não funciona na cidade, então fechar um transfer do aeroporto até a locadora/hotel (e para a volta) é fundamental.
- Aluguel de Carro (Nunatak Rent a Car): R$ 970 no total (290.000 pesos) por quase 2 dias. Se você viaja em duas ou mais pessoas, alugar carro é a melhor escolha. Nota: Exigem um depósito caução de cerca de R$ 2.700 (800.000 pesos), que é totalmente devolvido na entrega do veículo.
- Ingressos dos Parques (Flexipass Zona Sur): R$ 170 por pessoa (50.000 pesos). Compre o Flexipass online! Ele dá acesso tanto ao parque no sul (Perito Moreno) quanto ao norte (El Chaltén). Você paga uma vez e visita os dois.
- Hospedagem em El Calafate: R$ 240 por pessoa. Reservamos o hotel apenas do dia 30 em diante, pois a primeira noite passaríamos acampados no meio da montanha.
Dia 1: Compras, Glaciar Perito Moreno e Ida para El Chaltén
Chegamos às 7h50 da manhã, pegamos o transfer e fomos direto retirar o carro alugado no centro. O primeiro passo foi passar no mercado para comprar nossos suprimentos de acampamento: pão de forma, queijo, presunto, maionese de bacon, doces e incríveis 8 pacotes de miojo.
O perrengue das compras: Gastamos cerca de R$ 400 no mercado (comprando até o gás butano para o fogareiro, já que é proibido fazer fogueira no parque). Como esquecemos os talheres em casa, tivemos que comprar um kit com 3 colheres da Tramontina que custou absurdos 50 reais ksksksks.
O Imponente Glaciar Perito Moreno
Às 10h, tomamos o café da manha com as compras de fizemos, pegamos a estrada as 10:30 até o Glaciar Perito Moreno (cerca de 1h de viagem / 80km). Chegando lá, o parque possui várias passarelas em diferentes direções, cada vista melhor que a outra, e sem dúvidas, uma das coisas mais lindas que já vi na vida. Ficamos admirando a vista até as 14h30.

A Estrada para a Capital do Trekking
Saindo do Glaciar, partimos direto para El Chaltén (umas 2h30 a 3h de carro / 200km).
Dica de Ouro: Abasteça todo o tanque em El Calafate antes de pegar a estrada. Não há postos de gasolina no trajeto. Encha o tanque para garantir a ida e a volta!
A estrada é simplesmente sensacional. Curta muito o trajeto, porque a vista emociona.
A Trilha Noturna e o Acampamento Poincenot
Chegamos em El Chaltén às 18h50. Estacionamos no Trailhead for Fitz Roy, separamos apenas o essencial nas mochilas e começamos a caminhada de 8km até o Campamento Poincenot.
Como na Patagônia só anoitece por volta das 21h nessa época, fizemos quase toda a trilha com luz natural. O caminho é bem sinalizado com estacas de madeira de ponta amarela. Até o quilômetro 5 é bem tranquilo. Depois, fica mais difícil, com bastante pedras e partes íngremes, mas nada assustador. Faltando uns 100 metros para o acampamento, a escuridão tomou conta e tivemos que ligar a lanterna para não nos perdermos ksksks. Chegamos às 22h, montamos a barraca e fomos dormir (ou tentar 🙂 ).
Dia 2: O Desafio do Fitz Roy e a Volta
Se você quer ver o amanhecer refletido nas pedras do Fitz Roy (na Laguna de los Tres), precisa sair do acampamento, no máximo, às 4h da manhã. O sol nasce perto das 5h40, e os últimos 2km de trilha demoram quase 2 horas para serem feitos.
O trecho mais difícil: Do quilômetro 8 ao 10 é só subida íngreme, com muitas pedras soltas. Prepare o físico antes da viagem! A subida é surreal de difícil, mas a vista compensa cada gota de suor.

Voltamos ao acampamento às 11h, esquentamos nosso merecido miojo no fogareiro, desmontamos tudo e descemos para o estacionamento, chegando às 15h50. Fizemos um lanche rápido e dirigimos de volta para El Calafate para devolver o carro às 19h30. Pegamos um táxi barato até o hotel (R$ 28) e desmaiamos de cansaço.
O perrengue da barraca: A barraca que levamos era péssima para esse nível de trekking kkkk. Para a Patagônia, invista em uma barraca de dupla camada contra a umidade. Passamos frio e várias coisas nossas molharam na madrugada, mas faz parte da aventura!
Dia 3: Halloween em El Calafate
Tiramos o nosso último dia inteiro para descansar as pernas, caminhar pelo centro de El Calafate e comprar ímãs de geladeira e figurinhas.
Como era dia 31 de outubro, fomos surpreendidos pelo Halloween local. À tarde, as lojas do centro abriram as portas para as crianças fantasiadas que passavam pedindo doces. Foi uma experiência cultural muito legal de assistir; ficamos horas sentados só observando o movimento e a alegria da cidade.
Essa é uma viagem que eu recomendo para todo mundo. Você testa seus limites, conhece gente do mundo inteiro e volta com histórias incríveis para contar!